POR ELE, MARIDO:

Em janeiro de 2010 estávamos em plenas férias e falando sobre casamento. Queríamos uma festa estilo luau e, principalmente, com todos os convidados à vontade. Corri para olhar o calendário lunar e começamos a falar do dia 22 de janeiro de 2011. Além de ser noite de lua cheia, janeiro era o mês ideal por facilitar a vinda de amigos de fora e por ser mais certa uma noite de céu aberto e sem chuva…
O ano passou mais rápido do que todos os outros e em setembro iniciamos nossos preparativos. Tudo muito bem pensando, planejado, cada detalhe meticulosamente calculado. Muitas vezes ouvimos “críticas” construtivas de que éramos muito detalhistas e precisávamos nos desapegar um pouco mais. Fizemos questão de lidar juntos, eu e Amorinho, de cada aspecto da festa.
Agora eu sei o quanto valeu a pena cada esforço, o quanto foi bom ver todos se divertindo e o quanto faz bem escutar cada elogio, hehehe. Quanto à noite de céu aberto e lua cheia? Choveu bastante, mas não o suficiente para esconder a lua ou diminuir a alegria de todos. Assim como a torção em um ligamento do meu tornozelo esquerdo, não foi o bastante para diminuir meus pulos e exaltações.
Valeu cada amigo distante que deu seus pulos para dividir com a gente nesse dia. Valeu a cada padrinho Imediato. Valeu cada sorriso, aperto de mão, brinde, virada de doses e mais doses de cachaça, de whisky, de cerveja, de batidas. Valeu cada cartão, presente e mensagens em garrafas que recebemos. Valeu por cada dica, pensamento positivo e torcida, mesmo que à distância. Valeu por tudo o que a festa foi e representa para nós e, principalmente, valeu aos meus pais, irmãos e sogros maravilhosos, sem os quais a festa não teria a mesma graça, a mesma força.
Sem dúvida nenhuma a cena de Amorinho vindo de Bugre em minha direção, com seu vestido laranja mecânica e seu pulo acrobático do acento de trás ficarão para sempre em minha memória. As pernas tremendo na hora da cerimônia, a lambida disfarçada de beijo para que a aliança entrasse no dedo, as areias sendo misturadas e o prometido brinde de Coca-cola, são momentos únicos e que marcam uma nova fase, uma nova vida.
Por fim, valeu a todos os fornecedores (menos o cara dos toldos): Martha Brotherhood (decoração), Buffet Neuman Rocha, Rosa Maria Cake Design, Kelly Araújo Cerimonial, DJs Junior e Elton (som e iluminação), Antônio Carlos Lessa (Adepol), Fernando Azevedo e equipe (fotografia), Baque Alagoano, Kel Monalisa e banda, Cristiano (bar temático), MS (segurança e limpeza), Depósito de Bebidas Jambo, Água de Coco Jacarecica, Seu Gilberto (jangada) e Cazuza (Bugre), Jailza e Mary (costureiras do vestido da noiva), Priscilla Lucena e Joyce (maquiagem e cabelo da noiva) e Ulisses Pinheiro (fotos do ensaio). Obrigado e desculpa se esqueci algum nome, mas com certeza não esqueceremos seus esforços.
Amore, hoje sou o cara mais feliz do mundo. Valeu!
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POR ELA, ESPOSA:

Como deve ser um dia fantástico? Sábado, descobri que certamente ele tem um pouco de tensão, um pouco de receio de deixar de ser especial e que tem um fim inesquecível. Sol e chuva e então, mais chuva e um sol de leve. Aprendi que a força do pensamento cansa, mas pode ser a única arma que resta. Resta depois de ver pessoas queridas ajudando, torcendo por uma trégua. E a festa foi tomando moldes, o nosso santo foi maior do que o do cara das tendas e então eu já estava pronta para ver o nosso casamento – com o vestido laranja, cor vitamina C e de energia pura.
E eu cheguei àquele que seria o nosso ritual, ou rito de passagem, ou farra com grandes companhias. O primeiro grande impacto foi ver a turma de branco e a paisagem que recebeu um tempero de sol. E assim, um daqueles amigos queridos ligou o motor e saímos ao encontro da visão inesquecível. Cheguei à festa em cima de um bugre e digo, nunca esquecerei aquele momento. Os olhares foram ficando mais próximos, fui reconhecendo os sorrisos, recebendo um vento no rosto e um carinho que era possível catar no ar.
Dancei, sacudi o buquê como se fosse uma varinha mágica, escutei “Iluminado” e “Swing da Cor” como quem escuta o endereço do mapa do tesouro. Olhei Amorinho lá no fundo, em cima da esteira e de costa para o mar, como quem acha o tesouro. Eu estava ali. Misturamos as areias. E, além do que se oficializa assinando um papel, as areias coloridas juntas também nos juntaram perante os homens e perante Deus. Porque o nosso Deus é assim, alegre, feliz, colorido e gente boa. Abraça a todos que possuem alma leve, benévola e sincera.
E dançamos com os nossos padrinhos – os Imediatos – ao fundo. “Ashansú” foi a melodia que deu ainda mais energia ao que ali se vivia. Brinde aos noivos! E tomamos uma boa Coca-Cola. É, soa até como propaganda, mas ela tornou-se homenagem da esposa para o marido, ao ser ingerida após anos de jejum de refrigerantes feito por ela. O dia especial havia chegado.
O branco dos convidados, o verde dos pais e o florido suave dos padrinhos deram mais tom ao que já tinha cor. E aí foi só alegria, emoção, detalhes materializados, folia, risada, topadas, danças, abraços, beijos, músicas, pé torcido, nariz batido, mais chuva, menos chuva, mais cor, mais fotos, mais sabores, mais tambores, mais água que passarinho não bebe, mais feliz.
Fantástico, louco, intenso e inesquecível! Eu só tenho a agradecer aos nossos santos fortes, aos nossos amigos poderosos, aos nossos pais e familiares de fé, aos conhecidos queridos, aos fornecedores que também entraram na nossa onda, a Oxolá, a Deus, à Iemanjá, às fadas e duendes, a tudo/todos que estiveram do nosso lado. Porque antes de vocês entraram na nossa onda, nos entramos na de vocês e tivemos a certeza que era por aí que nosso barco queria navegar.
Obrigada turma. Hoje sou ainda mais feliz.
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